sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ser bonzinho é bom, mas também é mau...

Esta semana dei mesmo para divagar... nem sei se é bem divagar ou se é desabafar, descarregar o que me tem vindo na alma ultimamente...

Estou com uma situação em mãos que me está a tirar o sono... não posso ser muito específica, mas posso dizer que venho segurando as pontas para uma pessoa há meses e venho sempre lhe dizendo que estou no limite... o problema é que as coisas já passaram do limite e não consigo descalçar a bota.

Custa-me que as pessoas não reconheçam o nosso esforço por elas e tentem ao menos amenizar a situação. Daí quando você atinge aquele ponto que não dá mais mesmo, que a corda arrebenta e você simplesmente explode e diz o que lhe vai na alma e exige uma ação por parte dela, a pessoa te chama arrogante. Diz-te que não acredita que estás mesmo a dizer aquilo...

Pior, faz-me sentir mau por exigir algo que é meu por direito... por isso eu digo, ser bonzinho também é mau... porque isso me tem feito mal... deprime, frustra-me, dói na alma...

Não quero ser boazinha com quem me faz mal, mas pensa que está tudo bem... mas ao mesmo tempo tenho imenso a perder se não for... oh vida cruel!! O que vale é que cada dia é um dia e sentimentos passam... embora atitudes marquem!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dilema temporal

Há muito tempo que eu não divago... pelo menos aqui, por escrito. Muita coisa se passou neste tempo... voltei do Brasil, recuperei meu antigo emprego (o que não sei se foi bom ou mau) e experimentei o milagre da vida: me tornei mãe. 

Hoje minha filha está com 13 meses e me apanho num misto de sentimentos... não a respeito dela ou da maternidade, da minha vida em si... do que é feito de mim e do que será.

Eu quis sair do Brasil e vir morar na Europa. Consegui. Quis estudar e tirar uma licenciatura para ter melhores condições laborais, tirei. Depois achei que não devia parar por aí e resolvi fazer um mestrado... não fiquei com o mestrado mas fiquei com uma pós graduação e quando resolver fazer a  tese logo tenho o mestrado, mas fiz até onde quis fazer. Quis fazer o exame para a Ordem do Contabilistas Certificados, fiz e passei. Hoje sou Contabilista Certificada, pós graduada... Mas acontece que nada mudou. Continuo no mesmo emprego, com o mesmo ordenado, com as mesmas condições e com mais responsabilidades, pois o trabalho só aumenta. Continuo fazendo trabalho de administrativa para o qual basta o 12º ano com algum conhecimento de contabilidade.

Aí vejo que já tenho praticamente 37 anos e não fiz nada da minha vida. Tenho um emprego do qual não desgosto, mas que não me realiza. Não viajo nas férias porque o dinheiro faz falta para pagar as contas, seguro de casa, seguro de carro e temos sempre que ter algo na poupança para imprevistos. 

Acordo todos os dias à mesma hora, visto a miúda, despacho-me, deixo-a na creche (isto em cerca de 45 minutos) e este é o tempo que estou com ela de manhã. Saio do trabalho às 18 horas, chego na creche perto das 18:30h, apanho a pequena que entretanto adormece a caminho de casa. Com pena de a acordar, tiro-a com cuidado do carro, ponho-a no sofá e vou preparar o jantar dela e fazer o almoço do dia seguinte (tenho que levar a marmita, pois ainda são 15km até o trabalho). Entre os cozinhados a moça acorda, pede colo. Dou-lhe um pequeno miminho e coloco-a na cadeira da papa tentando distraí-la com algo pelo menos até que possa lhe dar atenção sem queimar a comida. Ok, já te posso dar o jantar, pois a essa hora ela já está esfomeada... para não me chatear nem me stressar deixo-a comer o segundo prato com as mãos enquanto vou lhe dando a sopa. Quando terminamos é hora da fruta e banho... nisto já são entre 20:00 e 20:30h... o banho é um momento especial, mas não dá para demorar muito porque além do frio, estou morta de cansada. É vestir e tentar que ela relaxe um bocado. Entre as 21:00 e as 21:30h ela finalmente adormece. Não sei se respiro de alívio porque posso enfim descansar ou se choro de tristeza porque em 24h de um dia, passei 9 horas no meu local de trabalho e nem 5 horas com a minha filha, sendo que destas 5 horas talvez uma a brincar e dedicar-me a dar-lhe miminhos... Sou uma mãe que tenta quando estou com ela, estar a 100%, Mas quando me apanho a fazer estas contas, reparo que nem esse tempo não é nem 50% do que eu realmente gostaria. 

Daí volto a pensar no meu trabalho... tantas horas dedicadas a uma empresa que nem palmadinhas nas costas me dá... esse tempo que poderia ser dedicado por inteiro a alguém que não me vai dar palmadinhas nas costas, mas vai me dar aquele sorriso que me faz a mulher mais feliz do mundo... o que estou eu a fazer??? Daí aparecem aqueles posts no facebook com textos e pequenas mensagens a perguntar se se eu morrer amanhã, valeu a pena? E eu começo a refletir e vejo que não. Então, se não vale a pena, é hora de mudar, antes que seja tarde, pois o tempo é uma coisa irrecuperável... 

Então divago... vou mudar, preciso mudar. Mudar... para onde, a fazer o que? O que é que me faz feliz que me poderia sustentar e me permitir ter tempo livre para a minha filha? O pior que nem eu sei! Tudo que eu penso que gosto e que talvez pudesse fazer não dá dinheiro... sou uma artista sem expressão! Outras coisas que penso fazer que poderiam me oferecer esse tempo e talvez alguma realização implicam investimento, investimento de um capital de que não disponho e de uma coragem de deixar tudo para arriscar que eu não tenho...

Daí mantenho-me refém do meu trabalho, escrava do medo e divagando do que seria a minha vida se eu tivesse mais imaginação, se fosse menos pé no chão... Eu quero, mas preciso de um empurrão, preciso de alguém que me estenda a mão e diga, vou contigo...

Não me vejo a fazer o mesmo quando chegar aos 40, mas vejo-me tão estagnada e o tempo a passar tão depressa que estou a morrer por dentro... Help please!! 

Amanhã o dia pode ser diferente, posso estar menos frustrada, mas aí se me coloco outra vez a pensar... penso o mesmo: preciso de uma mudança, preciso me aventurar! Quando serei capaz? Tem que ser hoje, amanhã será tarde demais... Sou uma artista sem expressão que tem a sua alma presa às circunstancias da vida e não sabe como se libertar!! Triste vida, triste sina... mas quem manda nesta budega afinal???? Não devia ser eu? 

Positiva que sempre fui, sempre dizendo que tudo vai melhorar se deixa ir abaixo assim? Ah! Pois é, ninguém é de ferro e um dia a gente desmorona... este é o meu dia... espero ver uma luz no fim deste túnel de frustração e que seja apenas uma crise passageira... quero de verdade ser corajosa o suficiente para criar meu próprio destino e me sustentar com algo que me realize... ou para que estou eu neste mundo??? 


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mudei mas voltei.

É isso mesmo... mudei. Depois de preparar, preparar e preparar, lá fui eu para a Terra de Vera Cruz, a espera de algo melhor. Afinal, dizem que o Brasil agora está bom, tem muito emprego, pois falta mão de obra qualificada. Epah! Pensei eu: acabo a licenciatura, autentico o meu diploma e pode ser que dê certo por lá, já que as coisas por cá estão um pouco complicadas. Ainda por cima dizem que em Linhares, no Espírito Santo, perto da terra onde moram meus pais, há muitas oportunidades, a Petrobrás está investindo muito e tem muitas fábricas, muitas grandes empresas abrindo... "você vai gostar", diziam-me. "Você com curso e falando inglês arranja logo um bom emprego, vai ser fácil". 

Grande ilusão.

Até gostei de Linhares. Comparada à minha terra natal, tem mais opções em termos de supermercados, de lugares para passear, tem shopping, fica apenas a 50km do oceano, tem lagoas... "um ótimo lugar para viver, pois não é uma terra pequena nem é cidade grande, é o meio termo ideal". Mas... tem sempre o mas. Esta é Linhares que eu conheci a passeio! Ah, pois é! Linhares é ótima para passear... 

Uma cidade com cerca de 140 mil habitantes que tem mais assassinatos por ano que Lisboa, com seus 2 milhões. Onde se não tens carro, tens que sofrer com os transportes públicos, nunca pontuais e sempre lotados. Onde não se respeita sinal vermelho, onde os motociclistas são donos da estrada, onde há um bairro chamado "Pó do Shell" e outro chamado "Aviso", ambos autênticos cartéis de drogas... onde sem um carro, sair a noite é mentira, onde acabamos por nos sentir prisioneiros dentro de nossas próprias casas, pois estas têm grades nas janelas e os portões elétricos não são para conforto, mas para segurança. 

Depois de ir passear lá duas vezes e ficar na casa de um casal em que ela era minha amiga de infância, resolvi que não conseguiria emprego lá, estando a 180 km de distância. Melhor alugar um apartamento e ir para lá. Apartamento mobilado é mentira. Apartamento num bairro tranquilo e bem frequentado é o olho da cara, mas teve que ser. Comprei mobília, o essencial. Dois meses até conseguir uma entrevista de emprego. Dois meses até conseguir emprego, mas não foi um bom emprego, pelo menos não em termos de salário. Um emprego em que o ordenado pagava o aluguel e o supermercado. Nada mais. Para passear, ir jantar fora ou comprar uma peça de roupa, dependia de dinheiro da poupança, pois o ordenado não dava para mais. Visitar meus pais? Como? Se o ordenado mal dava para as despesas de casa! 

Resumindo: não foi fácil arranjar um bom emprego, nem arranjei um bom emprego. Talvez se tivesse esperado mais, quem sabe! Mas o que vi de necessidade de mão de obra qualificada não era licenciada. É qualificada para fazer trabalhos pesados, onde o salário é uma miséria. Desisti rápido. Após 90 dias decidi que não era o que eu queria, não era o que esperava. 

Conheci uma pessoa que tirou um mestrado em Portugal e estava há 2 anos  tentando obter equivalências. Gastou um dinheirão e ainda não tinha conseguido. Eu acabei por nem tentar ter equivalências da minha licenciatura... Nunca vi tanta burocracia, tanta incompetência nos órgãos públicos... os bancos sempre lotados, com fila à porta. Um dia fui entrar e o segurança veio me perguntar o que ia lá fazer. A sério? Isto tem algum jeito? Eu ter que dizer ao segurança o que vou fazer ao banco? Noutro dia fiquei quase 4 horas a espera de ser atendida, com uma senha na mão. Via pessoas entrando e sendo atendidas sem tirar senha, só porque eram conhecidas ou trabalhavam em lugar tal. Estão a brincar comigo? Comecei a reclamar alto, o banco já tinha fechado as portas, até que me atenderam e adivinhem! Não pude fazer o que fui fazer porque a informação que tinham me dado semanas antes estava incorreta! Sem brincadeira... tive que voltar no dia seguinte. 

Para visitar meus pais tinha que apanhar dois autocarros e mesmo assim tinha que ficar numa cidade a 13 km, onde meu pai ia me buscar de carro. Levava cerca de 5 horas para fazer 200 km! Ok que o Brasil é grande, mas acho que 200 km são 200 km em qualquer lugar do mundo! Mas não é todo lugar do mundo que tem as estradas com enormes crateras... 

Para se ter um telemóvel, temos que cadastrar o cartão sim, lá chamado chip. Quem não tem CPF, que é o número de contribuinte em Portugal, não consegue sequer ter um telemóvel, pois é obrigatório para o tal cadastro. Os tarifários são caros e a rede é horrível. Ligar para outra rede está fora de questão, pois é mais que o olho da cara. Cheguei a ter 1,30 reais e não conseguir mandar uma mensagem para outra rede. Liguei para outra rede e gastei mais de 2,50 reais em menos de um minuto. De um estado para outro nem sempre funciona, pois já é roaming. 

Agora, já viu né! Uma pessoa que vive na Europa, como consegue se acostumar com isso tudo? Não é que aqui seja o melhor lugar do mundo, mas temos ao menos a vida mais facilitada. Para quem nunca saiu de lá, tudo isto é normal. Para minha família é normal, acho que eles até me achavam "chata", "enjoada", por não gostar de como as coisas são. Mas para mim não deu...

O Brasil é lindo! O brasileiro é um povo acolhedor, alegre, mas também muito barulhento. Não existe respeito ao próximo. Anda-se nas ruas com um som em altos berros no carro. Pára-se à porta da casa das pessoas com este som, muitas vezes de madrugada. As festas que duram até as 3 ou 4 da manhã tem som para toda a vizinhança e ninguém é capaz de dizer algo, pois tem medo da reação da pessoa em questão. Chama-se a polícia. Uma hora depois liga-se novamente e o que dizem? Estamos sem viatura, só temos uma e esta foi atender uma chamada, também por perturbação do sossego em outro bairro. Really??? E eu tive que aguentar o estremecer das minhas janelas, que não têm vidro duplo e não são à prova de som. Tive que dormir as 4 da manhã e acordar as 6 para ir trabalhar, sem reclamar... 

Quando se pertence à nata da sociedade, ou quando apenas se ganha muito dinheiro, mora-se num condomínio fechado, anda-se de carro para todo o lado. Não se dá conta do cotidiano verdadeiro do brasileiro. Claro que há exceções. Também existem brasileiros educados, brasileiros que respeitam, brasileiros cultos... mas infelizmente quando se trata de nós, só conseguimos evidenciar o que é mau, o que não gostamos, numa tentativa desnecessária de justificar a nossa decisão. 

Eu decidi voltar e culpo tudo isto. Talvez no fundo a culpa seja minha, ou não seja uma questão de culpa, mas de critérios. Não  gostei e pronto e gostos não se discutem. Pelos menos é o que dizem! 

Mas a mudança foi positiva, apesar de tudo. Serviu para aceitar que afinal eu vivia bem, a minha insatisfação com Portugal tornou-se ínfima comparada com a minha insatisfação com o Brasil. Tive pena, pena de não conseguir aproveitar para ficar mais na companhia da minha família, de não me aproximar mais dos meus sobrinhos e curtir ser a tia deles... tive pena de ver minha mãe chorar quando lhe disse que voltaria e e ainda mais quando me despedi... de ver meu pai fazer-se de forte para me apoiar na minha decisão. Mas teve que ser. 

Agora sinto-me em casa. Regressei ao antigo trabalho mais calma, mais compreensiva, menos revoltada com o que se passa com os outros departamentos, não é nada comigo, não devo me deixar afetar. É esta a minha nova filosofia: ter calma e paciência e não me stressar com o que não me diz respeito.

Mudei, mas voltei. Mudei meu eu, mudei minha forma de pensar, mudei de atitude. Voltei mas mudei...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Vão se f...

Este não é um texto meu, mas é um texto que descreve toda a indignação que se sente neste momento em Portugal, embora eu não seja nascida aqui, foi aqui que quis construir meu futuro. Um futuro que agora é uma nuvem negra, que só me permite ver luz quando fizer o que muitos fizeram: "bazar", deixar o país que no qual eu acreditava...



Por Ângela Crespo:

Vão-se foder.
Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso.
Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.  
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar. Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.

Desde que este pequeno, mas maravilho país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.

Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?

Perdoem-me as chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho hé 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.

E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?

Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.

As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.

Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.

Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder.

Texto original: http://www.facebook.com/angela.ftc/posts/4585835005610

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não sou mais humana

Esta não é uma divagação minha, mas me revi nela. A humanidade a cada dia caminha para a sua própria destruição. Os bons sentimentos, as boas ações e a esperança de um mundo melhor estão a ser destruídos pelo egoísmo, pela inveja, pelo desejo de poder... 

Todos os dias eu me torno mais egoista também, porque todos os dias tiram algo de mim, impedindo que eu realize os meus sonhos, todos os dias afastam de mim tudo pelo que tenho lutado.  

Todos os dias desejo que os corruptos, violadores e assassinos tenham o tratamento que realmente merecem, o mesmo tratamento que dão às suas vítimas...

Serei eu tão animal quanto eles por sentir tal sentimento que não consigo controlar? Talvez, mas é o instinto animal contra tudo e  todos que sentimos que nos ameaça... 

 

Não sou mais humana

Por: Karla Brito

O mundo consegue destruir até com alguém mais positivo e otimista. Consegue dar nojo até a pessoa mais compreensiva que nele habita. Consegue tirar do sério até alguém com uma paz invejável.
O homem é o ser mais perigoso para o homem. Fui infectada por muita insistência dessa maldade infinita e comecei a sentir raiva, medo e nojo do meu próprio semelhante. Desejando muitas vezes a própria morte de alguns. Hoje, não sinto nenhum remorso em dizer isso. Fui infectada gravemente.
Talvez sinta tudo isso quanto a mim mesma, me desejando a morte, por fazer parte dessa raça de humanos, por estar no mesmo saco, vivendo da mesma maneira. Sinto vergonha de estar rodeada de pessoas iguais a mim.
Não sentir mais compaixão por ninguém era o que temia e aconteceu.
Deveriam criar um outro nome para nós, os infectados, humanos é que não somos mais. Quanto mais animalesco parecer o nome melhor, porque a vontade é de sair rosnando pra qualquer um que tentar se aproximar, na tentativa de proteger seu espaço, seus objetos e sua vida.
Tentei ser humana num mundo de animais, fui mordida muitas vezes e me curei outras muitas, mas hoje a mordida foi mais profunda e não consegui me sarar.
Muitos dos infectados não se anunciam, dizem-se humanos, já que aparentemente são iguais, por isso aproveitem que a minha confissão e não se aproximem de mim. Eu mordo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mudanças...

Mudar nunca é fácil...
Mesmo quando mudamos para uma coisa que queremos muito, sempre fica um sentimento de despedida do que ficou para trás...
Mudar de vida, mudar de carro, mudar de casa, mudar de trabalho... mudar-se a si mesmo...

Claro que é mais fácil quando a mudança é material. Uma mudança interior implica disciplinar-nos a nós mesmos, conscientizar-nos que é preciso e acima de tudo acreditarmos.

Mudar a nós próprios é desistir de uma parte de nós, é aceitar que esta parte precisa ser esquecida, descartada...

Fica um medo, uma ansiedade... uma sensação de "será que vai dar certo?", será...

Ainda pior quando esta mudança implica desistir de sonhos, de ideais.
Sonhos que se transformaram em pesadelo, ideias inatingíveis que nos levaram a cair num poço fundo... e continuamos cavando, afundando cada vez mais... até que nos damos conta que estamos cavando para o lado errado e que temos que mudar para conseguir voltar ao topo.

O problema é que o tempo não perdoa... o tempo que perdemos na teimosia de cavar mais nunca vai voltar, este está perdido e não tem volta... Aí atrasamos outros sonhos...

Sonhos que passamos a sonhar quando nos percebemos que tínhamos que mudar, sonhos dos quais nunca desistimos... sonhos novos que vamos sonhando na escalada para o topo... tudo nos faz pessoas diferentes...

Aprendizagem é mudança... mudamos se aprendemos com os erros... infelizmente erros têm as suas consequencias e nem sempre estamos dispostos a arcar com elas... é quando sofremos mais. Aceitar que erramos é o primeiro passo para a mudança...


É duro, é doloroso, penoso... mas é necessário. A consciência desta necessidade é a força motora da aceitação, da verdadeira mudança...

Uma frase que li num livro que me marcou muito foi "se quer continuar no mesmo lugar, continue fazendo o que sempre fez"... só que ninguém quer ficar no mesmo lugar. Todos nós temos sonhos, todos nós queremos mais. Queremos uma casa maior, um carro mais novo, viajar, ter filhos, uma bela carreira profissional, um emprego otimo... e tudo isto exige nada mais, nada menos que mudança.

Mudança de valores, mudança de atitudes, mudança de vida, mudança de ações.


Vai ser duro, mas vai acontecer... e quando acontecer, vamos sonhar mais alto, vamos precisar mudar novamente...

O mundo está a mudar, o mercado de trabalho está a mudar, as pessoas estão a mudar... e eu?

Não posso ser diferente... também tenho que mudar! Pois como dizia o velho Raul: "eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Há dias que tudo nos acontece!

Já te aconteceu de ter dias ou melhor, semanas que tudo te acontece? Ou acontece tudo ao contrário?

Acho que estou passando por esta fase...

Há algumas noites que durmo mal. Levanto-me umas quantas vezes e volto a deitar. Aí quando consigo adormecer ouço barulhos... são umas obras que estão a fazer numa casa ao lado da minha. No início eram marteladas, depois foi mesmo o martelo elétrico... quase uma hora antes do relógio despertar já eu estou mais do que desperta e já não consigo adormecer. Além de uma noite mal dormida, a pior coisa para deixar uma pessoa de mau humor logo de manhã é acordar com barulhos... pelo menos no meu caso.

Com os humores já estragados vou para o trabalho... a semana está estranha, ao mesmo tempo que há pouco que fazer há muito que pensar... discuto com minha chefe... é dia de início de aulas na faculdade. A primeira notícia é que mudaram o regime de avaliação e que agora somos todos obrigados a ir a exame, tenhamos um zero ou tenhamos um dezoito... claro que fico ainda pior né!

Ontem no caminho para o trabalho quase me batem numa rotunda... eu buzinei e ainda ficaram a olhar para mim como se eu é que estivesse errada! Mas o pior foi à tarde... que bateram mesmo! Não foi numa rotunda, foi mesmo numa reta! O carro de trás vinha um pouco colado, quer dizer, um pouco não, muito mesmo e o carro que ia à minha frente travou, eu travei mas o de trás não conseguiu travar sem me bater... quebrou-me as luzes da matrícula e arranhou-me o pára-choques.

Em casa já não tinha vontade de fazer nada, ainda com os nervos da batida... não parava nada na minha mão... A água derramava, o leite derramava! As coisas caíam... ô dificuldade!

Esta noite outra vez mal dormida... acordei muito cedo mesmo e já não conseguia dormir e olha que foi bem antes das obras começarem! Fui para o sofá, mas nem assim! Mais um dia com o humor estragado... reconheço que fico irrequieta, respondona, impaciente... fico mesmo dificil de aguentar viu!

Para ajudar os meus acessos de nervos, a caminho do trabalho quase me batem outra vez, desta vez seria mesmo na porta do meu lado... isso sim seria um grande estrago! Eu ia aí a +- 50Km/h na minha e um carro que está a sair de sua garagem, de marcha atrás, ou não estava a olhar ou deve ter pensado que eu tinha que parar para ele sair... Quando vi que ele não ia parar tive que travar a fundo... e no impulso dei um buzinadão!!! A mulher do condutor que estava fora do carro ficou a olhar para mim, como se a errada fosse eu!! Ai que nervos!

Só espero conseguir chegar ao fim do dia sem que nada mais me aconteça... quer dizer, ao fim da semana... porque hoje é 5ª feira ainda... e tenho dois dias a conduzir 130km para ir para a faculdade e voltar...

Como se costuma dizer aqui em Portugal, "será que tenho que ir à bruxa?!"