terça-feira, 6 de março de 2018

Ah se querer fosse poder!

Eu acabava já com a Guerra na Síria!

Ah se querer fosse poder! 

Trazia aquelas crianças para perto de mim... dava-lhes um banho quente, uma refeição decente, uma cama macia e limpa... dava-lhes um abraço forte e dizia-lhes que está tudo bem, que estão seguros e que nada de mau vai lhes acontecer...

Ah se querer fosse poder!

Transformava os mísseis em flores, as balas em gotas d'água, a dor em alegria extrema! Reuniria as famílias, dançaria aos som dos seus sorrisos! Transformaria o ódio em solidariedade, a má fé em amor, a maldade em compaixão...

Ah se querer fosse poder!

Tornaria aquelas terras bombardeadas e inférteis em campos de trigo, arroz, em pomares de maçãs, laranjas e melancias que tanto gosto! Reconstruiria suas casas, daria-lhes de volta o seu lar...

Se querer fosse poder, o mundo já viveria em paz... o mundo seria de paz!

...

Tenho tentado me abster de abordar este tema, mas estou constantemente a ser "bombardeada" com fotos e vídeo do sofrimento daquelas pessoas, pior, daquelas crianças, que não consigo calar.

Primeiro que tudo, como humana, compadeço-me do sofrimento daquelas pessoas. Das famílias que estão todos os dias a perder entes queridos, das famílias que se refugiam noutros países, das famílias que nada conseguem fazer e acabam por matarem-se uns aos outros para evitar sofrimentos piores.

Em segundo e é onde me dói mais, como mãe. 

Choca-me como as pessoas conseguem compartilhar fotos de crianças feridas e/ou mortas. Eu não consigo. Choca-me a frieza disfarçada e compaixão nas redes sociais. Só eu sei o que me dói na alma sequer imaginar que a minha filha passe por um milésimo do que aquelas crianças estão a passar. Cada foto que vejo de um pai com um filho morto ou ferido nos braços rasga-me a alma. Chorei, chorei ao ver um vídeo de uma menina a contar como está a viver junto com outras crianças em túneis, sem água, sem comida, sem nada, dormindo no chão. 

Infelizmente querer nem sempre é poder. O poder está em mãos muito mais sujas e em corações mais duros do que aço... nas mãos de quem devia cuidar e lutar por aquelas famílias mas que prefere o amor ao dinheiro, o amor a algo que nem sei o que é...

Não era suposto ser assim. O mundo não devia ser assim... o mundo é de todos, principalmente das crianças, que têm a magia de o colorir, de o fazer um lugar melhor... e o que a ganância e o amor ao dinheiro e ao poder fazem? Destroem a única esperança, a única magia que o mundo tem...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Difícil sentimento...

Saber que tens de ir, saber que tens de deixar ir.

Difícil sentimento...
Não saber como nem quando ir, não saber como nem quando deixar ir.

Difícil sentimento...
Quando tudo que era suposto ser para sempre parece que desvanece, vai se apagando com o tempo.

Difícil sentimento...
Ver o tempo passar num piscar de olhos, ver a vida ser sobrevivida em nome de um laço.

Fazemos planos, juramos mil e uma coisas, nada se realiza e a fúria, a frustração é extravasada através de duras palavras... palavras que fazem doer. 

Palavras duras não são só palavras, são como pedras lançadas, são como facas no coração e sim, palavras também matam. 

Difícil sentimento...
Perceber que palavras aos poucos matam o que um dia foi lindo, o que um dia foi grande. 
Foi? Será que foi?
Ou será que foi ilusão, deslumbramento, utopia?

Difícil sentimento...
Não conseguir reviver, não conseguir manter, não conseguir reconquistar e não conseguir matar.

Difícil sentimento...
Matar, deixar morrer ou morrer por dentro...

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Trabalho novo, página virada

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Desde há muito tempo que desejo uma página virada.
Fui ao Brasil pensando que ia virar a página... e virei! Só que a página seguinte foi uma ilusão...
Voltei do Brasil a pensar que ia virar a página... e virei! Só que a página seguinte era uma página repetida...

Eu já sabia o que ia ver, o que ia ler e o que não ia gostar. Mesmo assim virei e voltei para aquela página, sem esperanças, sem ilusões, uma página cinzenta, cheia de invejas, hipocrisia e rancores, uma página triste, cheia de vidas tristes... incluindo a minha, que tornava-se cada dia mais triste, porque me via sendo sugada por aquela escuridão de dia para dia...

Mas de um momento para o outro, sabe quando arriscamos, jogamos sem acreditar muito que aquela é a nossa vez, que a nossa estrelinha enfim vai brilhar? Foi assim que apostei e foi assim que aconteceu...

Não sei se a página seguinte é colorida, cheia de flores e arco-íris... não sei se há música, vida e pessoas felizes, não sei nada. Mas o que seria de nós se não houvesse esperança, se não houvesse sonhos? Não haveria sequer vida, não é o que dizem? Que o sonho comanda a vida? Neste momento sinto-me realizando um sonho... a dar um salto para uma realização pessoal e principalmente profissional para a qual gastei 4 anos na universidade a fazer uma licenciatura, queimando pestanas durante 1 ano numa pós graduação e algumas horas da minha licença maternidade estudando para passar no exame de uma ordem profissional.

Se tenho medo?
Estou carregadinha dele! Mesmo porque na página onde me encontro neste momento, ainda num ponto de viragem, sinto-me despreparada, porque não tinha incentivo, não tinha permissão para me preparar, era sempre o mesmo, sempre mais do mesmo... como os burros que utilizam uma pala e só podem olhar para onde lhe deixam, que têm que fazer só o que lhes mandam... assim era eu, assim ainda sou eu, até acabar de virar a página.
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Entretanto, acredito em mim. Tenho que acreditar, porque se eu não o fizer, quem fará? Então vou dar o salto, vou arriscar um aquário maior, vou na esperança de visualizar um horizonte maior, com toda a confiança que posso e consigo ter em mim... passando por cima dos meus medos e dos fantasmas que me possam vir a assombrar.

E se eu falhar? Não penso falhar, mas é uma possibilidade e se acontecer, vou me levantar e virar novamente a página, esperando que a próxima seja o horizonte que gostaria de avistar...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Deixa-me chorar

Meu peito já não aguenta tanta dor.
Deixa-me chorar.

Meus ombros doem,
não aguento mais o peso desse amor.
Deixa-me...

As lágrimas dos meus olhos já me cegam.
Tantas coisas ficaram por dizer,
tantas outras por fazer!

Tantas coisas foram ditas,
tantas outras foram feitas,
apesar de dito e feito,
a dor permanece no peito.

É o amor que dói,
o amor que se foi.
É saudade dentro do peito,
é tristeza que não tem jeito.

O que nos separa é certo,
o reencontro é incerto.
Te verei novamente um dia?
Deixa-me chorar.

Foste um grande amor,
serás sempre um grande amor.
É um amor sem igual,
não é um amor de casal.
É um amor materno, maduro e sereno.

Deixa-me deitar no teu peito,
tira-me esse vazio,
sinto falta de dormir no teu leito.

Avó, um dia nos veremos.
Até lá viverei esta dor.
Até lá...
Deixa-me chorar...

(Dedico este poema à única avó que conheci, a minha avó materna Ana Moreira. Partiu cedo deixando muita saudade, faz dia 30 de Setembro 18 anos).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Cansada de gente

Cansada de gente que nunca dá nada, mas está sempre a cobrar dos outros. 

Cansada de gente que acorda mal disposta e só piora ao longo do dia.

Cansada de gente que passa o dia a soprar, como se tudo à sua volta estivesse muito quente.

Cansada de gente perfeita que nunca faz nada errado (do seu ponto de vista, é claro!).

Cansada de gente que se convida.

Cansada de gente que não conversa, monologa.

Cansada de gente que só ri quando é de desgraça alheia.

Cansada de gente que fica feliz com os erros dos outros.

Cansada de gente hipócrita.

Cansada de gente que só enxerga o próprio umbigo.

Cansada de gente que inveja a felicidade alheia.

Cansada de gente que não sabe o seu lugar.

Cansada de gente que se acha mais e melhor que todo o mundo.

Cansada de gente que se promove a chefe quando o chefe está de férias.

Cansada de gente que põe defeito em tudo, principalmente nos outros.

Cansada de gente que está sempre procurando algo nos outros para "brincar".

Cansada de gente que "brinca" mas não aceita brincadeiras.

Cansada de  gente que não sabe dizer "se faz favor".

Cansada de gente que diz "anda cá", como se falasse com um cão.

Cansada de gente com quem ninguém quer estar.

Cansada de gente feliz pela infelicidade alheia.

Cansada de gente que acha que ninguém mais pode, seja o que for.

Cansada de gente com direitos adquiridos.

Cansada de gente de duas caras.

Cansada de gente que não se doa.

Cansada de gente que só fala aos berros.

Cansada de gente que desconta os seus males nos outros.

Cansada de gente mal resolvida.

Cansada de gente infeliz.

Cansada de gente... 

Cansada de aceitar e ter de conviver com essa gente...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Novo projeto

Comecei este projeto há uns anos... era só uma forma de me distrair, de desabafar minha frustração de não conseguir engravidar...

Hoje resolvi investir nele e partilhar as minhas experiências, alegrias e dificuldades daquilo que é um dos maiores desafios do mundo, ser mãe!

A quem interessar: https://tempoespera.blogspot.com



       
Espero que goste.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ser bonzinho é bom, mas também é mau...

Esta semana dei mesmo para divagar... nem sei se é bem divagar ou se é desabafar, descarregar o que me tem vindo na alma ultimamente...

Estou com uma situação em mãos que me está a tirar o sono... não posso ser muito específica, mas posso dizer que venho segurando as pontas para uma pessoa há meses e venho sempre lhe dizendo que estou no limite... o problema é que as coisas já passaram do limite e não consigo descalçar a bota.

Custa-me que as pessoas não reconheçam o nosso esforço por elas e tentem ao menos amenizar a situação. Daí quando você atinge aquele ponto que não dá mais mesmo, que a corda arrebenta e você simplesmente explode e diz o que lhe vai na alma e exige uma ação por parte dela, a pessoa te chama arrogante. Diz-te que não acredita que estás mesmo a dizer aquilo...

Pior, faz-me sentir mau por exigir algo que é meu por direito... por isso eu digo, ser bonzinho também é mau... porque isso me tem feito mal... deprime, frustra-me, dói na alma...

Não quero ser boazinha com quem me faz mal, mas pensa que está tudo bem... mas ao mesmo tempo tenho imenso a perder se não for... oh vida cruel!! O que vale é que cada dia é um dia e sentimentos passam... embora atitudes marquem!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dilema temporal

Há muito tempo que eu não divago... pelo menos aqui, por escrito. Muita coisa se passou neste tempo... voltei do Brasil, recuperei meu antigo emprego (o que não sei se foi bom ou mau) e experimentei o milagre da vida: me tornei mãe. 

Hoje minha filha está com 13 meses e me apanho num misto de sentimentos... não a respeito dela ou da maternidade, da minha vida em si... do que é feito de mim e do que será.

Eu quis sair do Brasil e vir morar na Europa. Consegui. Quis estudar e tirar uma licenciatura para ter melhores condições laborais, tirei. Depois achei que não devia parar por aí e resolvi fazer um mestrado... não fiquei com o mestrado mas fiquei com uma pós graduação e quando resolver fazer a  tese logo tenho o mestrado, mas fiz até onde quis fazer. Quis fazer o exame para a Ordem do Contabilistas Certificados, fiz e passei. Hoje sou Contabilista Certificada, pós graduada... Mas acontece que nada mudou. Continuo no mesmo emprego, com o mesmo ordenado, com as mesmas condições e com mais responsabilidades, pois o trabalho só aumenta. Continuo fazendo trabalho de administrativa para o qual basta o 12º ano com algum conhecimento de contabilidade.

Aí vejo que já tenho praticamente 37 anos e não fiz nada da minha vida. Tenho um emprego do qual não desgosto, mas que não me realiza. Não viajo nas férias porque o dinheiro faz falta para pagar as contas, seguro de casa, seguro de carro e temos sempre que ter algo na poupança para imprevistos. 

Acordo todos os dias à mesma hora, visto a miúda, despacho-me, deixo-a na creche (isto em cerca de 45 minutos) e este é o tempo que estou com ela de manhã. Saio do trabalho às 18 horas, chego na creche perto das 18:30h, apanho a pequena que entretanto adormece a caminho de casa. Com pena de a acordar, tiro-a com cuidado do carro, ponho-a no sofá e vou preparar o jantar dela e fazer o almoço do dia seguinte (tenho que levar a marmita, pois ainda são 15km até o trabalho). Entre os cozinhados a moça acorda, pede colo. Dou-lhe um pequeno miminho e coloco-a na cadeira da papa tentando distraí-la com algo pelo menos até que possa lhe dar atenção sem queimar a comida. Ok, já te posso dar o jantar, pois a essa hora ela já está esfomeada... para não me chatear nem me stressar deixo-a comer o segundo prato com as mãos enquanto vou lhe dando a sopa. Quando terminamos é hora da fruta e banho... nisto já são entre 20:00 e 20:30h... o banho é um momento especial, mas não dá para demorar muito porque além do frio, estou morta de cansada. É vestir e tentar que ela relaxe um bocado. Entre as 21:00 e as 21:30h ela finalmente adormece. Não sei se respiro de alívio porque posso enfim descansar ou se choro de tristeza porque em 24h de um dia, passei 9 horas no meu local de trabalho e nem 5 horas com a minha filha, sendo que destas 5 horas talvez uma a brincar e dedicar-me a dar-lhe miminhos... Sou uma mãe que tenta quando estou com ela, estar a 100%, Mas quando me apanho a fazer estas contas, reparo que nem esse tempo não é nem 50% do que eu realmente gostaria. 

Daí volto a pensar no meu trabalho... tantas horas dedicadas a uma empresa que nem palmadinhas nas costas me dá... esse tempo que poderia ser dedicado por inteiro a alguém que não me vai dar palmadinhas nas costas, mas vai me dar aquele sorriso que me faz a mulher mais feliz do mundo... o que estou eu a fazer??? Daí aparecem aqueles posts no facebook com textos e pequenas mensagens a perguntar se se eu morrer amanhã, valeu a pena? E eu começo a refletir e vejo que não. Então, se não vale a pena, é hora de mudar, antes que seja tarde, pois o tempo é uma coisa irrecuperável... 

Então divago... vou mudar, preciso mudar. Mudar... para onde, a fazer o que? O que é que me faz feliz que me poderia sustentar e me permitir ter tempo livre para a minha filha? O pior que nem eu sei! Tudo que eu penso que gosto e que talvez pudesse fazer não dá dinheiro... sou uma artista sem expressão! Outras coisas que penso fazer que poderiam me oferecer esse tempo e talvez alguma realização implicam investimento, investimento de um capital de que não disponho e de uma coragem de deixar tudo para arriscar que eu não tenho...

Daí mantenho-me refém do meu trabalho, escrava do medo e divagando do que seria a minha vida se eu tivesse mais imaginação, se fosse menos pé no chão... Eu quero, mas preciso de um empurrão, preciso de alguém que me estenda a mão e diga, vou contigo...

Não me vejo a fazer o mesmo quando chegar aos 40, mas vejo-me tão estagnada e o tempo a passar tão depressa que estou a morrer por dentro... Help please!! 

Amanhã o dia pode ser diferente, posso estar menos frustrada, mas aí se me coloco outra vez a pensar... penso o mesmo: preciso de uma mudança, preciso me aventurar! Quando serei capaz? Tem que ser hoje, amanhã será tarde demais... Sou uma artista sem expressão que tem a sua alma presa às circunstancias da vida e não sabe como se libertar!! Triste vida, triste sina... mas quem manda nesta budega afinal???? Não devia ser eu? 

Positiva que sempre fui, sempre dizendo que tudo vai melhorar se deixa ir abaixo assim? Ah! Pois é, ninguém é de ferro e um dia a gente desmorona... este é o meu dia... espero ver uma luz no fim deste túnel de frustração e que seja apenas uma crise passageira... quero de verdade ser corajosa o suficiente para criar meu próprio destino e me sustentar com algo que me realize... ou para que estou eu neste mundo??? 


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mudei mas voltei.

É isso mesmo... mudei. Depois de preparar, preparar e preparar, lá fui eu para a Terra de Vera Cruz, a espera de algo melhor. Afinal, dizem que o Brasil agora está bom, tem muito emprego, pois falta mão de obra qualificada. Epah! Pensei eu: acabo a licenciatura, autentico o meu diploma e pode ser que dê certo por lá, já que as coisas por cá estão um pouco complicadas. Ainda por cima dizem que em Linhares, no Espírito Santo, perto da terra onde moram meus pais, há muitas oportunidades, a Petrobrás está investindo muito e tem muitas fábricas, muitas grandes empresas abrindo... "você vai gostar", diziam-me. "Você com curso e falando inglês arranja logo um bom emprego, vai ser fácil". 

Grande ilusão.

Até gostei de Linhares. Comparada à minha terra natal, tem mais opções em termos de supermercados, de lugares para passear, tem shopping, fica apenas a 50km do oceano, tem lagoas... "um ótimo lugar para viver, pois não é uma terra pequena nem é cidade grande, é o meio termo ideal". Mas... tem sempre o mas. Esta é Linhares que eu conheci a passeio! Ah, pois é! Linhares é ótima para passear... 

Uma cidade com cerca de 140 mil habitantes que tem mais assassinatos por ano que Lisboa, com seus 2 milhões. Onde se não tens carro, tens que sofrer com os transportes públicos, nunca pontuais e sempre lotados. Onde não se respeita sinal vermelho, onde os motociclistas são donos da estrada, onde há um bairro chamado "Pó do Shell" e outro chamado "Aviso", ambos autênticos cartéis de drogas... onde sem um carro, sair a noite é mentira, onde acabamos por nos sentir prisioneiros dentro de nossas próprias casas, pois estas têm grades nas janelas e os portões elétricos não são para conforto, mas para segurança. 

Depois de ir passear lá duas vezes e ficar na casa de um casal em que ela era minha amiga de infância, resolvi que não conseguiria emprego lá, estando a 180 km de distância. Melhor alugar um apartamento e ir para lá. Apartamento mobilado é mentira. Apartamento num bairro tranquilo e bem frequentado é o olho da cara, mas teve que ser. Comprei mobília, o essencial. Dois meses até conseguir uma entrevista de emprego. Dois meses até conseguir emprego, mas não foi um bom emprego, pelo menos não em termos de salário. Um emprego em que o ordenado pagava o aluguel e o supermercado. Nada mais. Para passear, ir jantar fora ou comprar uma peça de roupa, dependia de dinheiro da poupança, pois o ordenado não dava para mais. Visitar meus pais? Como? Se o ordenado mal dava para as despesas de casa! 

Resumindo: não foi fácil arranjar um bom emprego, nem arranjei um bom emprego. Talvez se tivesse esperado mais, quem sabe! Mas o que vi de necessidade de mão de obra qualificada não era licenciada. É qualificada para fazer trabalhos pesados, onde o salário é uma miséria. Desisti rápido. Após 90 dias decidi que não era o que eu queria, não era o que esperava. 

Conheci uma pessoa que tirou um mestrado em Portugal e estava há 2 anos  tentando obter equivalências. Gastou um dinheirão e ainda não tinha conseguido. Eu acabei por nem tentar ter equivalências da minha licenciatura... Nunca vi tanta burocracia, tanta incompetência nos órgãos públicos... os bancos sempre lotados, com fila à porta. Um dia fui entrar e o segurança veio me perguntar o que ia lá fazer. A sério? Isto tem algum jeito? Eu ter que dizer ao segurança o que vou fazer ao banco? Noutro dia fiquei quase 4 horas a espera de ser atendida, com uma senha na mão. Via pessoas entrando e sendo atendidas sem tirar senha, só porque eram conhecidas ou trabalhavam em lugar tal. Estão a brincar comigo? Comecei a reclamar alto, o banco já tinha fechado as portas, até que me atenderam e adivinhem! Não pude fazer o que fui fazer porque a informação que tinham me dado semanas antes estava incorreta! Sem brincadeira... tive que voltar no dia seguinte. 

Para visitar meus pais tinha que apanhar dois autocarros e mesmo assim tinha que ficar numa cidade a 13 km, onde meu pai ia me buscar de carro. Levava cerca de 5 horas para fazer 200 km! Ok que o Brasil é grande, mas acho que 200 km são 200 km em qualquer lugar do mundo! Mas não é todo lugar do mundo que tem as estradas com enormes crateras... 

Para se ter um telemóvel, temos que cadastrar o cartão sim, lá chamado chip. Quem não tem CPF, que é o número de contribuinte em Portugal, não consegue sequer ter um telemóvel, pois é obrigatório para o tal cadastro. Os tarifários são caros e a rede é horrível. Ligar para outra rede está fora de questão, pois é mais que o olho da cara. Cheguei a ter 1,30 reais e não conseguir mandar uma mensagem para outra rede. Liguei para outra rede e gastei mais de 2,50 reais em menos de um minuto. De um estado para outro nem sempre funciona, pois já é roaming. 

Agora, já viu né! Uma pessoa que vive na Europa, como consegue se acostumar com isso tudo? Não é que aqui seja o melhor lugar do mundo, mas temos ao menos a vida mais facilitada. Para quem nunca saiu de lá, tudo isto é normal. Para minha família é normal, acho que eles até me achavam "chata", "enjoada", por não gostar de como as coisas são. Mas para mim não deu...

O Brasil é lindo! O brasileiro é um povo acolhedor, alegre, mas também muito barulhento. Não existe respeito ao próximo. Anda-se nas ruas com um som em altos berros no carro. Pára-se à porta da casa das pessoas com este som, muitas vezes de madrugada. As festas que duram até as 3 ou 4 da manhã tem som para toda a vizinhança e ninguém é capaz de dizer algo, pois tem medo da reação da pessoa em questão. Chama-se a polícia. Uma hora depois liga-se novamente e o que dizem? Estamos sem viatura, só temos uma e esta foi atender uma chamada, também por perturbação do sossego em outro bairro. Really??? E eu tive que aguentar o estremecer das minhas janelas, que não têm vidro duplo e não são à prova de som. Tive que dormir as 4 da manhã e acordar as 6 para ir trabalhar, sem reclamar... 

Quando se pertence à nata da sociedade, ou quando apenas se ganha muito dinheiro, mora-se num condomínio fechado, anda-se de carro para todo o lado. Não se dá conta do cotidiano verdadeiro do brasileiro. Claro que há exceções. Também existem brasileiros educados, brasileiros que respeitam, brasileiros cultos... mas infelizmente quando se trata de nós, só conseguimos evidenciar o que é mau, o que não gostamos, numa tentativa desnecessária de justificar a nossa decisão. 

Eu decidi voltar e culpo tudo isto. Talvez no fundo a culpa seja minha, ou não seja uma questão de culpa, mas de critérios. Não  gostei e pronto e gostos não se discutem. Pelos menos é o que dizem! 

Mas a mudança foi positiva, apesar de tudo. Serviu para aceitar que afinal eu vivia bem, a minha insatisfação com Portugal tornou-se ínfima comparada com a minha insatisfação com o Brasil. Tive pena, pena de não conseguir aproveitar para ficar mais na companhia da minha família, de não me aproximar mais dos meus sobrinhos e curtir ser a tia deles... tive pena de ver minha mãe chorar quando lhe disse que voltaria e e ainda mais quando me despedi... de ver meu pai fazer-se de forte para me apoiar na minha decisão. Mas teve que ser. 

Agora sinto-me em casa. Regressei ao antigo trabalho mais calma, mais compreensiva, menos revoltada com o que se passa com os outros departamentos, não é nada comigo, não devo me deixar afetar. É esta a minha nova filosofia: ter calma e paciência e não me stressar com o que não me diz respeito.

Mudei, mas voltei. Mudei meu eu, mudei minha forma de pensar, mudei de atitude. Voltei mas mudei...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Vão se f...

Este não é um texto meu, mas é um texto que descreve toda a indignação que se sente neste momento em Portugal, embora eu não seja nascida aqui, foi aqui que quis construir meu futuro. Um futuro que agora é uma nuvem negra, que só me permite ver luz quando fizer o que muitos fizeram: "bazar", deixar o país que no qual eu acreditava...



Por Ângela Crespo:

Vão-se foder.
Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso.
Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.  
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar. Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.

Desde que este pequeno, mas maravilho país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.

Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?

Perdoem-me as chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho hé 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.

E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?

Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.

As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.

Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.

Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder.

Texto original: http://www.facebook.com/angela.ftc/posts/4585835005610

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não sou mais humana

Esta não é uma divagação minha, mas me revi nela. A humanidade a cada dia caminha para a sua própria destruição. Os bons sentimentos, as boas ações e a esperança de um mundo melhor estão a ser destruídos pelo egoísmo, pela inveja, pelo desejo de poder... 

Todos os dias eu me torno mais egoista também, porque todos os dias tiram algo de mim, impedindo que eu realize os meus sonhos, todos os dias afastam de mim tudo pelo que tenho lutado.  

Todos os dias desejo que os corruptos, violadores e assassinos tenham o tratamento que realmente merecem, o mesmo tratamento que dão às suas vítimas...

Serei eu tão animal quanto eles por sentir tal sentimento que não consigo controlar? Talvez, mas é o instinto animal contra tudo e  todos que sentimos que nos ameaça... 

 

Não sou mais humana

Por: Karla Brito

O mundo consegue destruir até com alguém mais positivo e otimista. Consegue dar nojo até a pessoa mais compreensiva que nele habita. Consegue tirar do sério até alguém com uma paz invejável.
O homem é o ser mais perigoso para o homem. Fui infectada por muita insistência dessa maldade infinita e comecei a sentir raiva, medo e nojo do meu próprio semelhante. Desejando muitas vezes a própria morte de alguns. Hoje, não sinto nenhum remorso em dizer isso. Fui infectada gravemente.
Talvez sinta tudo isso quanto a mim mesma, me desejando a morte, por fazer parte dessa raça de humanos, por estar no mesmo saco, vivendo da mesma maneira. Sinto vergonha de estar rodeada de pessoas iguais a mim.
Não sentir mais compaixão por ninguém era o que temia e aconteceu.
Deveriam criar um outro nome para nós, os infectados, humanos é que não somos mais. Quanto mais animalesco parecer o nome melhor, porque a vontade é de sair rosnando pra qualquer um que tentar se aproximar, na tentativa de proteger seu espaço, seus objetos e sua vida.
Tentei ser humana num mundo de animais, fui mordida muitas vezes e me curei outras muitas, mas hoje a mordida foi mais profunda e não consegui me sarar.
Muitos dos infectados não se anunciam, dizem-se humanos, já que aparentemente são iguais, por isso aproveitem que a minha confissão e não se aproximem de mim. Eu mordo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mudanças...

Mudar nunca é fácil...
Mesmo quando mudamos para uma coisa que queremos muito, sempre fica um sentimento de despedida do que ficou para trás...
Mudar de vida, mudar de carro, mudar de casa, mudar de trabalho... mudar-se a si mesmo...

Claro que é mais fácil quando a mudança é material. Uma mudança interior implica disciplinar-nos a nós mesmos, conscientizar-nos que é preciso e acima de tudo acreditarmos.

Mudar a nós próprios é desistir de uma parte de nós, é aceitar que esta parte precisa ser esquecida, descartada...

Fica um medo, uma ansiedade... uma sensação de "será que vai dar certo?", será...

Ainda pior quando esta mudança implica desistir de sonhos, de ideais.
Sonhos que se transformaram em pesadelo, ideias inatingíveis que nos levaram a cair num poço fundo... e continuamos cavando, afundando cada vez mais... até que nos damos conta que estamos cavando para o lado errado e que temos que mudar para conseguir voltar ao topo.

O problema é que o tempo não perdoa... o tempo que perdemos na teimosia de cavar mais nunca vai voltar, este está perdido e não tem volta... Aí atrasamos outros sonhos...

Sonhos que passamos a sonhar quando nos percebemos que tínhamos que mudar, sonhos dos quais nunca desistimos... sonhos novos que vamos sonhando na escalada para o topo... tudo nos faz pessoas diferentes...

Aprendizagem é mudança... mudamos se aprendemos com os erros... infelizmente erros têm as suas consequencias e nem sempre estamos dispostos a arcar com elas... é quando sofremos mais. Aceitar que erramos é o primeiro passo para a mudança...


É duro, é doloroso, penoso... mas é necessário. A consciência desta necessidade é a força motora da aceitação, da verdadeira mudança...

Uma frase que li num livro que me marcou muito foi "se quer continuar no mesmo lugar, continue fazendo o que sempre fez"... só que ninguém quer ficar no mesmo lugar. Todos nós temos sonhos, todos nós queremos mais. Queremos uma casa maior, um carro mais novo, viajar, ter filhos, uma bela carreira profissional, um emprego otimo... e tudo isto exige nada mais, nada menos que mudança.

Mudança de valores, mudança de atitudes, mudança de vida, mudança de ações.


Vai ser duro, mas vai acontecer... e quando acontecer, vamos sonhar mais alto, vamos precisar mudar novamente...

O mundo está a mudar, o mercado de trabalho está a mudar, as pessoas estão a mudar... e eu?

Não posso ser diferente... também tenho que mudar! Pois como dizia o velho Raul: "eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Há dias que tudo nos acontece!

Já te aconteceu de ter dias ou melhor, semanas que tudo te acontece? Ou acontece tudo ao contrário?

Acho que estou passando por esta fase...

Há algumas noites que durmo mal. Levanto-me umas quantas vezes e volto a deitar. Aí quando consigo adormecer ouço barulhos... são umas obras que estão a fazer numa casa ao lado da minha. No início eram marteladas, depois foi mesmo o martelo elétrico... quase uma hora antes do relógio despertar já eu estou mais do que desperta e já não consigo adormecer. Além de uma noite mal dormida, a pior coisa para deixar uma pessoa de mau humor logo de manhã é acordar com barulhos... pelo menos no meu caso.

Com os humores já estragados vou para o trabalho... a semana está estranha, ao mesmo tempo que há pouco que fazer há muito que pensar... discuto com minha chefe... é dia de início de aulas na faculdade. A primeira notícia é que mudaram o regime de avaliação e que agora somos todos obrigados a ir a exame, tenhamos um zero ou tenhamos um dezoito... claro que fico ainda pior né!

Ontem no caminho para o trabalho quase me batem numa rotunda... eu buzinei e ainda ficaram a olhar para mim como se eu é que estivesse errada! Mas o pior foi à tarde... que bateram mesmo! Não foi numa rotunda, foi mesmo numa reta! O carro de trás vinha um pouco colado, quer dizer, um pouco não, muito mesmo e o carro que ia à minha frente travou, eu travei mas o de trás não conseguiu travar sem me bater... quebrou-me as luzes da matrícula e arranhou-me o pára-choques.

Em casa já não tinha vontade de fazer nada, ainda com os nervos da batida... não parava nada na minha mão... A água derramava, o leite derramava! As coisas caíam... ô dificuldade!

Esta noite outra vez mal dormida... acordei muito cedo mesmo e já não conseguia dormir e olha que foi bem antes das obras começarem! Fui para o sofá, mas nem assim! Mais um dia com o humor estragado... reconheço que fico irrequieta, respondona, impaciente... fico mesmo dificil de aguentar viu!

Para ajudar os meus acessos de nervos, a caminho do trabalho quase me batem outra vez, desta vez seria mesmo na porta do meu lado... isso sim seria um grande estrago! Eu ia aí a +- 50Km/h na minha e um carro que está a sair de sua garagem, de marcha atrás, ou não estava a olhar ou deve ter pensado que eu tinha que parar para ele sair... Quando vi que ele não ia parar tive que travar a fundo... e no impulso dei um buzinadão!!! A mulher do condutor que estava fora do carro ficou a olhar para mim, como se a errada fosse eu!! Ai que nervos!

Só espero conseguir chegar ao fim do dia sem que nada mais me aconteça... quer dizer, ao fim da semana... porque hoje é 5ª feira ainda... e tenho dois dias a conduzir 130km para ir para a faculdade e voltar...

Como se costuma dizer aqui em Portugal, "será que tenho que ir à bruxa?!"

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Chefe nunca tem tempo...

Chefe tá sempre muito ocupado, nunca tem tempo: assim que a empresa mudou de localidade, passou a haver uma tolerância de 30 minutos à entrada, por causa da longa viagem de 60Km do pessoal... Mas aí o que era uma tolerância virou regra e o horário de entrada mudou para as 9:30h. Ah, mas o chefe é um dos que moram longe e precisa de uma tolerância de hora de entrada... então o chefe tem o direito de chegar todos os dias perto das 10h. É justo. 
 Mesmo que diga que não toma café, porque o café lhe faz mal, como todos, o chefe tem direito a um cafezinho de manhã... então pousa a mala, abre as janelas e liga o computador. Enquanto o computador inicia, porque não aproveitar para ir tomar o dito café? Acho que de 10 a 15 minutos é suficiente... 
Bom, depois de um cafezinho, volta à sala e sai para buscar um copinho de água. O chefe tem direito a beber água não é? 
Às 10:15h o chefe se senta e vai ler os e-mails. O chefe faz bem, pois tem que se manter informado. Os negócios que o chefe trata devem ser muito engraçados, de vez em quando ouvimos cada gargalhada!! 
Depois de ver os e-mails é hora do chefe começar a tratar dos negócios engraçados dele... aquela gente lá da empresa deve ser toda burra! O chefe está sempre a dizer que não fazem nada de jeito! Talvez por isso o chefe esteja sempre tão ocupado! 
Os negócios que o chefe trata devem lhe tirar muita energia, por isso o chefe às 11h vai comer uma fruta e umas bolachinhas... não sei que fruta nem bolachas o chefe come, mas devem ser difíceis de comer, devem ser especiais para dar mais energia, porque ele demora uns 20 minutos para conseguir comê-las... 
Das 11:20h às 13:00h o chefe trabalha mesmo muito... só se levanta uma ou duas vezes para buscar água e ir ao Wc, com excepção das vezes que precisa ficar de braços cruzados à porta do gabinete a contar as coisas importantes, também engraçadas, que ouviu na rádio de manhã ou para nos explicar quão burro é o director... 
A hora do almoço é sagrada para o chefe, mas também, com tanto trabalho ele deve ficar esfomeado! Então o chefe é o primeiro a chegar ao refeitório. O chefe alimenta-se de forma muito saudável, só aquece a sua comida no forno, apesar de demorar mais que o microondas. Não sei como o chefe consegue ser tão magrinho... até tem uma tolerância de 30 minutos na hora do almoço, pois uma hora é pouco para ele comer tudo. Claro que eu percebo não é, o chefe tem que se alimentar bem... e se uma hora não é suficiente, tem todo o direito de ficar mais meia hora. 
O chefe também é muito preocupado com a sua higiene oral, pois depois da sua hora e meia de almoço ainda leva um bom tempo a lavar os dentes... 
O chefe anda sempre muito atarefado e tem que dividir o seu trabalho conosco. Apesar de quase não darmos conta já do que temos que fazer no tempo exigido, nós ajudamos o chefe. Coitado! As pessoas exigem muito do chefe, muitas vezes ele tem que nos perguntar como se faz as coisas, porque é tanto trabalho! As legislações ou as políticas de funcionamento da empresa devem mudar muito. Hoje o chefe manda fazemos uma coisa de um jeito, no próximo mês o chefe vai ver e não devia ter sido feito daquela forma... como o chefe não há de estar confuso e ocupado? 
Depois de uma tarde exaustiva de trabalho, por volta das 17h é hora do chefe recarregar as suas baterias... não sei se o chefe ao lanche também tem fruta e bolachinha, mas se não for também deve ser dificil de se comer... 
Se for sexta-feira, quando volta do lanche o chefe tem uma tarefa que admiro muito: regar as plantas! Com tanta falta de tempo ainda arranja algum para cuidar das plantinhas... Com isso tudo, já são quase 18h. O chefe tem que se preparar para ir para casa, é um longo caminho... então o chefe vai encher sua garrafinha de água para o caminho e depois vai ao Wc, para não ter que parar no caminho... O chefe dá o exemplo: é sempre o primeiro a sair... Ah, esqueci de dizer que em dias de chuva e trovoada o chefe tem que ir embora mais cedo, pois gosta de se prevenir e não gosta de conduzir na chuva. Quem me dera pensar como o chefe! 

Eu não sei como é a vida do chefe fora da empresa, espero que seja mais calma... mas digo uma coisa: com o ordenado que o chefe ganha, que é mais de quatro vezes maior que o meu, e com a vida dura que ele tem na empresa, não sei como ele aguenta ser chefe... Afinal, o chefe nunca tem tempo!!!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

As consequências da incerteza...

Uma das piores torturas psicológicas que se pode sofrer é a incerteza. Nem falo da incerteza da vida, pois esta todos temos.

Falo da incerteza de ter um trabalho, de poder pagar as nossas dívidas, de conseguir manter um teto, de algum dia ter um filho...

Nos telejornais só se fala em crise. Fala-se nas dívidas da Grécia, da Espanha, da Itália, de Portugal. Fala-se na contracção económica de grandes potências como a Alemanha e EUA e fala-se numa possível nova recessão mundial.

Estamos a sentir os efeitos desta crise. Todos os dias aumentam-se ou criam-se novos impostos, aumentam-se os preços da saúde e da educação. Aumenta o combustível, a alimentação, a luz, o gás. Só não aumenta o nosso salário.

As empresas com passivos que quase duplicam os ativos começam a cortar custos... cortam no cafezinho, cortam no material de limpeza, cortam nos transportes, cortam no pessoal. Só não cortam nos salários gordos dos diretores... como se a empresa fosse para frente só com o trabalho destes. Vemos de dia para dia o trabalho diminuir... horas a fio a inventarmos trabalho...

Daí a nossa incerteza... será que eu serei o próximo? Será que isto vai aguentar-se? Será que conseguirei outro trabalho? Será que conseguirei um salário mais ou menos igual? Será? Será? Por que será que não nos dizem logo? Talvez eu conseguisse logo alguma coisa ou consiga emigrar... Só dúvidas, só questões, só incertezas do amanhã.

E quais as consequências desta incerteza?

Sinceramente, não sei bem. Quem me dera saber! Assim sabia como evitá-las.

Aí lembramos daquele velho ditado: "até um pé na 'bunda' nos empurra para frente"... pensamos em 1001 soluções...

Com a minha indenização poderia...
Começar um negócio! Mas em que?
Comprar acções! Mas não entendo nada disto!
Colocar numa poupança! Mas o rendimento é tão pouco que não compensa...
Comprar um carro! Mas em que estou pensando? Um carro vai me dar mais despesas!
Me aguentar até arranjar um trabalho! Mas e se eu não arranjar outro trabalho?
Emigrar! Vou para um país onde arranje um bom trabalho para ganhar um bom dinheiro. Mas não conheço ninguém que está fora e não sou maluco de ir de mochila as costas...
Vou simplesmente pagar minhas dívidas mais urgentes, ir para o fundo desemprego e ficar a espera de um trabalho! ou talvez nem pague as dividas e guarde o dinheiro para uma emergência...

Difícil não? É tanta coisa, tantas possibilidades e tantos entraves que nos deixam malucos, sem nem saber o que fazer com uma miséria que podemos receber caso nos mandem embora...

Mas a questão não é só essa. A maior pressão é entrar dia e nós inventando trabalho... sem saber se amanhã haverá emprego. Essa dúvida é que nos maltrata.

É cada dia mais difícil levantar da cama de manhã. Passamos o dia mal-humorados, tristes, com vontade de fazer ainda menos... mal esperamos pelas 18:00h! Vamos para casa cansados de fazer quase nada, da dúvida, do ambiente da incerteza. Parece que levamos nos ombros um peso que não nos pertence. Chegamos à casa só temos vontade de enfiarmo-nos no sofá e ali ficar, olhando para a telinha hipnotizadora que não nos ensina nada, só rouba nosso tempo e nossa capacidade de pensar, imaginar e inventar, porque faz isso por nós. Aí vamos para a cama e não conseguimos dormir, porque o cérebro não pára de pensar no que não é certo.

Cada dia estamos mais cansados, mais carrancudos, mais insatisfeitos com a vida... e o pior: não encontramos forças para fazer algo para mudar.

Das consequências da incerteza, acho que esta é a pior delas: não fazermos nada para mudar...

Não está sendo fácil, na verdade está sendo é muito difícil mesmo... mas eu estou tentando, estou lutando contra esta preguiça, contra este sentimento de impotência... mas isto sou eu. Há quem não tenha a mesma força, a mesma coragem, digamos assim. E dia-a-dia vou vendo as pessoas queixarem-se sem nada fazer para mudar... sem sequer ver uma saída, sem ao menos pensar que pode existir uma... apenas esperando!

E você? Como está no seu trabalho? Como tantos outros à espera que o patrão lhe venha dar a "má notícia"?

Ou está fazendo o seu pezinho de meia, aproveitando o tempo livre para especular, estudar possibilidades, fazer cursos on-line, entre outras 1001 coisas que se pode fazer?

Eu, embora esteja enfrentando algumas consequências da incerteza vou tentando fazer parte do 2º grupo... não quero esperar por uma certeza negativa para sentir a sua dor... quando e se esta certeza chegar, quero estar preparada para enfrentá-la e mostrar a ela quem é que manda... e francamente, claro que sou eu!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TODO HOMEM DEVE LER!!!!!!

... Por Arnaldo Jabor

"É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada. Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.


Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"


"E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!"

Grande Arnaldo Jabor... fiquei seu fã. Para quem interessar ler mais:

http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_arnaldo_jabor/

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SEJA UM IDIOTA

"A idiotice é vital para a felicidade.



Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.


No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.


Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...


Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?


Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer?

Espero que não. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva. Pule corda!


Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.


Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. 

 Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

 
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante,
chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

Arnaldo Jabor

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ontem reinou o bom humor!

Depois de um dia horrível de tempestade e relâmpagos, o sol voltou a brilhar! E não foi só no sentido real... foi também no sentido figurado...
Há muito tempo não sentia o clima tão leve e descontraído. Normalmente é tão carregado... muitas vezes dizemos bom dia com uma enorme vontade de dizer "só se for para ti, porque não tvejo razão para ser bom dia"... 

Ontem parecia que a pressão estava sendo aliviada... não sei a razão. Não sei se fui eu ao tentar o meu interior, ao tentar ignorar o que me aborrece ou se foi geral mesmo... o que importa é que eu sorri... que me apeteceu falar, contar histórias, fazer piadas. Ontem eu ri de tudo e de todos. 

Fiz questão de levar um boné do FCP para gozar com um benfiquista que no dia anterior tinha dito que já não podia ver o Porto à frente, bebi 3 cafés, conversei com colegas a quem normalmente digo bom dia e boa tarde e pouco mais... até "bati um papo legal" (há muito que eu não utilizada uma expressão tão brasileira!), tive uma conversa até agradável com o chefe, lá lhe fiz um pouco de companhia enquanto ele comia as aquelas bolachinhas difíceis... engraçado que nem parecem assim tão difíceis de se comer! Descontraí. 

Embora sentisse que um camião me tinha passado por cima, porque eu estava muito cansada, estava satisfeita com o trabalho que estava a fazer. Senti-me útil. Não foi como todos os dias que pouco ou nada acontece. Não é um trabalho que alguém goste de fazer... ninguém gosta de lamber pastas à procura de documentos para corrigir erros, ainda por cima dos outros. Ninguém gosta de corrigir a correcção do que já foi corrigido! É mais fácil fazer novo do que fazer correcções. Mas eu até gostei. Senti que estava aplicando alguns dos conhecimentos de contabilidade que venho adquirindo... motivou-me. 

Até a minha colega "que sabe tudo" conseguiu passar o dia sem "bufar" tanto para chamar a atenção para si ... É melhor explicar o "bufar": respirar fundo em alto som... 

E a menina bonita!A menina bonita que muitas vezes parece uma estagiária, aquela a quem todos dão o trabalho para fazer, também sorriu. Já há muito tempo não a via com aquele ar leve. Há muito tempo ela trazia consigo uma tristeza, uma angústia, um olhar triste e cansado de quem já não pode estar ali. Ontem não. 

Engraçado a minha colega da recepção também não reclamou ter fome passado meia hora de comer! (eu sei que vais me matar por escrever isto! Mas tinha que contar a história completa... :P). Eu explico: é que ela tem um corpo normal de uma mulher, com dois filhos, mas tem a paranóia que está gorda e quando está de dieta é quando mais lhe apetece comer. Normalmente depois do almoço lhe apetece sempre... uma figura daquelas que se não nascessem tinham que ser inventadas... 

Quase à hora de ir embora já não conseguia pensar... mas também, depois um dia destes, depois de tanto tempo, só apetecia rir de tudo, inclusive de não pensar! À menina aconteceu o mesmo... ela disse que os neurônios dela já se tinham desligado às 17:00h... 

Fui para a universidade fazer um trabalho de estatística e esse foi o momento sério do dia. Estava tão cansada que os olhos já quase não se mantinham abertos, tinha que fazer um esforço enorme para conseguir raciocinar, mas mesmo assim foi descontraído. Tanto que eu pretendia ir embora por volta das 22:30h e só saí uma hora depois... Já em casa, conversei bastante com meu marido... acho que o contagiei... Rimo-nos... não que não seja habitual rirmos, por acaso até somos divertidos, mas é que isto foi a "cereja em cima do bolo"... cereja ao natural, porque as cristalizadas são horríveis! 

Belo dia o de ontem! Sim senhor! Espero mesmo que não seja aquela brisa gostosa que vem antes de outra tempestade! Porque ontem sim, reinou o bom humor naquele escritório...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um tempo comigo mesma

Hoje decidi que não me vou chatear... 

Decidi que não vou deixar nada nem ninguém tirar a minha paz de espírito, um sentimento de calma e tranquilidade que consequi no fim de semana... As coisas que a gente descobre! Bastou uma atitude: fazer. 
Dizia um livro que eu li e também diz um outro que estou a ler: "devemos deixar de viver a vida das pessoas na televisão e começar a viver a nossa vida" pois "quando escolhemos gastar nosso tempo a ver televisão, abdicamos do tempos de fazer outras coisas", entre elas de estudar, de ler um bom livro, de aproveitar um belo dia de sol ou de um gostoso passeio de bicicleta... 

Nada que eu não soubesse... Mas às vezes parece que precisamos de um empurrão ou mesmo um "chute" no traseiro para agirmos. No meu caso era mais um "ACORDA!!" Eu tinha a mania de pensar que para me distrair, para me divertir é sempre preciso companhia. 

Mas percebi que afinal não... eu também preciso do meu tempo sozinha. Não tempo comigo mesma e a televisão, porque deste estava eu farta! Tempo comigo mesma a fazer algo de que eu não me arrependeria depois, tal como acontece com a tv. Todos os fins de semana eu pensava: amanhã vou fazer isso e aquilo. Aí o amanhã chegava e eu hoje não fazia nada... 

No feriado eu e meu marido tínhamos ido à praia um pouquinho na parte da manhã, o tempo não estava nada especial, mas foi o nosso 1º dia de praia do ano. Almoçamos na casa da minha sogra e depois fomos para casa. Fomos não, fui. Meu marido foi ter com um amigo. Ao chegar à casa olhei para o lava-louça cheio de louça suja, mas não apeteceu. Olhei para minha mesa de estudo e para os livros, mas achei melhor deixar para depois porque eu tinha um bocado de sono. Olhei para a casa por limpar mas pensei que podia passar mais um dia assim... e acabei onde? Pois é, no sofá a ver televisão. 

Essa coisa moderna da tv por cabo fazer gravações é a minha perdição! Como à noite tenho a universidade, coloco as telenovelas a gravar para ver quando tiver tempo para viver a vida dos outros que nem sequer são reais... o feriado foi um destes tempos. Passei a tarde a ver "Araguaia"!. Tinha uns 20 capítulos gravados e cada capítulo que eu colocava para ver pensava comigo: é só mais este, depois vou dar uma volta de bicicleta. Assim foram uns 10 capítulos. Chegou um momento que bateu em mim uma tristeza tão grande que eu não fazia ideia de onde vinha. Quer dizer, eu pensava que vinha da minha solidão daquela tarde. Óbvio que não era. A solidão era uma desculpa esfarrapada que eu arranjei para o meu desapontamento comigo mesma. Então, não sei como, consegui me levantar e apanhar nas chaves para sair de casa e neste mesmo instante meu marido liga, pois não tinha levado chaves e ia passar lá para apanhá-las. Não consegui desfarçar a tristeza que me vinha na alma. Ele percebeu. Quando chegou eu estava mesmo a sair da garagem, ele me perguntou se estava tudo bem e eu, dando uma de durona, disse que sim, que estava tudo bem... mas sem conseguir desfarçar no olhar que já estava molhado. Ele então disse ao amigo para seguir, pois ia andar de bicicleta. 

Foi aí que caí em mim, pois ao invés de eu ficar feliz, pois agora tinha companhia, não ia passar o restinho da tarde sozinha, fiquei foi mais triste ainda por fazê-lo abdicar do momento que tinha planejado com o amigo para estar comigo. 
Começamos a andar e num certo momento ele parou e disse: fala comigo. Eu não conseguia. Chorei. Após uns segundos, mesmo sem conseguir que as palavras me saíssem completamente, tentei explicar-lhe que tenho uma certa inveja dele, pois ele tem pelo menos um amigo com quem de vez em quando sai, vai falar besteira, jogar papo para o ar... e eu, as poucas amizades que tenho estão todas longe, pois ainda não consegui fazer novas amizades... parece tão difícil agora, sinto-me velha, não sei explicar, não consigo me dar, procurar... Tenho as "amigas" da universidade, com quem me dou muito bem, com quem falo pela net, com quem estou sempre planeando uma "saída" que nunca chega a acontecer... mas que também moram longe, que é a minha desculpa. Ele ouviu e tentou animar-me: "não gosto de ter ver chorar... ainda se a culpa fosse minha eu podia fazer alguma coisa, mas assim sinto-me impotente". E é. A culpa é minha e só minha. 
Demos uma pequena volta e fomos para casa. Eu fiquei mais animada, mas não deixava de pensar que o privei de um momento com um amigo. Sentia-me ainda mais culpada, embora ele demonstrasse não se importar com este momento perdido, mas sim comigo. 

Acordei no Domingo com uma atitude diferente, comuniquei-lhe logo: hoje não quero ver tv. Quero aprender a fazer beringela recheada ao almoço, quero arrumar meu guarda-roupa, limpar a casa e estudar um bocado. Ele ficou contente por mim... ele gosta quando faço planos, porque por norma ele pergunta o que quero fazer e eu respondo sempre: não sei, qualquer coisa. Perguntou-me: "mas vamos à praia?". Claro que vamos... 
Mas assim que saímos sentimos um ar frio, o sol escondia-se dentre as poucas nuvens que haviam no céu e ventava. Estava desagradável. 
Fomos dar um passeio de carro. À medida que andávamos eu ia olhando a paisagem, as pessoas, a vida a ser vivida. Quanto mais eu observava, mais crescia um sentimento de revolta contra mim mesma e minha preguiça. Aquelas pessoas que estavam ali a viver a vida não o faziam sentadas no sofá a comer pipocas ou sorvete e a ver tv. Elas riam, elas corriam, elas conversavam, elas viviam a sua própria vida. Cheguei em casa e pus-me a lavar a louça e chamei logo meu marido para me ensinar a fazer a tal beringela recheada, uma especialidade em que ele é mesmo muito bom. Foi gostoso aquele momento com ele ali na cozinha. Já tinha visto cenas destas em novelas e filmes... gostei mesmo. Depois do almoço ele fez o que gosta de fazer: sentou-se no sofá a jogar computador. Ainda lhe perguntei se não ia sair, mas ele disse que não lhe apetecia. 
Senti-me culpada, senti que ele tinha receio que eu ficasse outra vez triste. Incentivei-o a sair e fazer o que não fez ontem enquanto eu ia fazer o que tinha planeado. Comecei pelas casas-de-banho, depois fui para o guarda-roupa. Estava calor. Ele fora com o amigo levar o cão à praia. Passados uns minutos que ele tinha saído, bateu-me outra vez aquele sentimento de necessidade de companhia. Isto não é normal. Lutei contra. Acabei de limpar a casa, mudei de roupa, apanhei o livro que ando a ler e a camara fotográfica e saí. Que sensação tão boa eu senti! Nem sei explicar o misto de sentimentos que ia dentro de mim. Era de liberdade ou libertação, vida, satisfação de necessidade ou mesmo apenas de realização: eu consegui. Ia sorrindo... a cada pedalada que dava sentia-me mais forte, o sentimento ruim de dentro de mim ia desaparecendo. 

Engraçado que foi como se passasse naquela rua pela 1ª vez. Olhava tudo, observava cada flor, cada pássaro, cada movimento das pessoas... O sol já estava baixo, era bonito vê-lo por detrás das árvores. Essa foi a primeira fotografia. Não foram muitas, mas tentei captar tudo que fosse vida. Pena que não consegui o vôo dos pombos, pois o sol batia na lente e encandeava... mas foi bonito de se ver. Fotografei outros pássaros a voar com o mar ao fundo, fotografei o proprio mar e um casal que la estava... sentei-me na areia. Que gostosa sensação... sentia que estava fazendo tudo o que via os outros fazerem, mas que minha dependencia de companhia impedia-me de fazer ou de apreciar. Não tardou o sol se pôr. Esfriou e resolvi que era hora de voltar para casa. Fui para casa feliz como tinha ido, com um sorriso nos labios, sentindo a brisa fria no rosto. Ao chegar a casa meu marido já tinha feito parte do jantar, daí o restante foi rápido. Tomei um belo banho, pijama limpinho, lençois cheirosos... marido de bom humor! O que eu podia querer mais não é!

Um dia em cheio! Acordei hoje de bem com a vida, sentindo-me viva! E decidida a brigar comigo mesma sempre que cair outra vez na angústia... Registo aqui este momento para dividir a experiência e para lembrar a mim mesma que a única coisa que preciso é UM TEMPO COMIGO MESMA...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dark feelings...

É nos momentos de angústica e stress que conseguimos despertar em nós os nosso sentimentos mais negros, mais feios e terríveis... 
Às vezes fico a pensar qual é o ponto para explodir e dá até medo saber a resposta... Somos humanos. O pior animal da face da terra... os demais animais lutam pela sua sobrevivência, duelam por uma fêmea, por um território, mas fazem jogo limpo, enfrentam-se... 
O que fazer quando se é enganado, quando se hipoteca a sua vida toda por uma coisa que é um barco furado?? Desespera-se!!! Esta situação de desespero leva-nos a sentir coisas nunca antes sentidas, a pensar o impensável... e querer coisas que não se querem a ninguém... 
Dark feelings... como controlar? Como evitar? O que fazer contra estes sentimentos? Principalmente, como ajudar alguém a libertar-se deles? Bem sei que é não desesperar também... mas é difícil... chega a um ponto que parece sermos influenciados, conduzidos ou atraídos, como se este sentimento fosse um imã, puxando-nos para baixo, consumindo-nos também... 
Houve um tempo que eu me recorreria a Deus... houve um tempo em que eu tinha fé em alguém superior, que nos ajudaria a resolver os nossos problemas, que nos daria um sentimento de paz... estranhamente nunca tive este sentimento de paz, o que me levou a perder a fé neste Deus em quem eu queria tanto acreditar agora... 
Acho que pior do que estes sentimentos obscuros é o sentimento de impotência, o sentimento de nada poder fazer, o sentimento de que somos tão pequeninos diantes de um problema que nos é tão longe a solução... 
Dói... parece mentira que tudo isto faça doer... dói fisicamente, dói na alma, dói... O peito parece que vai explodir, os batimentos cardíacos parecem incontroláveis... tudo irrita, tudo entristece, tudo escurece... 
Chorar... chorar faz bem à alma... alivia o peito, parece que um pouco do que sentimos vai-se com as lágrimas... mas e quando não se consegue chorar? Morre-se por dentro, aos poucos somos consumidos, sugados, mortos... é preciso agir! Agir como, fazer o que? Que ajuda pedir? Dark feelings, é só o que temo sentir...